Receitas

Vai ao restaurante com as crianças? Veja como lidar com a situação

Anna Fagundes

Do UOL, em São Paulo

23/11/2015 17h06

Atire o primeiro guardanapo quem não tem alguma história engraçada (ou não muito) envolvendo crianças em restaurantes. Há quem se lembre com alegria de quando podia se pendurar para ver os pizzaiolos trabalhando, ou então quem morra de raiva de criança correndo pelo salão – o fato é que o assunto pode se tornar espinhoso em instantes.

Alguns restaurantes no exterior vetam a presença de menores de 12 anos (e às vezes, de menores de 18 anos) no recinto, argumentando que o ambiente não é para crianças. Por outro lado, os chefs e donos de restaurante entrevistados foram unânimes em uma coisa: criança que vai em restaurantes aprende como valorizar a comida, muitas vezes com mais entusiasmo do que muito adulto.

Então, como dosar a visita da criançada para não causar caos no salão? O segredo está em saber dosar limites, aguçar a curiosidade dos pequenos em relação à comida...E ter grandes doses de paciência e de noção por parte dos pais.

  • Imagem: Getty Images
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    Quem está no comando, afinal?

    Alguns chefs ouvidos pelo UOL entregaram o jogo: o problema, às vezes, não são tanto os pequenos, mas sim os responsáveis por elas. Em sigilo, uma chef mandou a real: "O problema de crianças em restaurante são os pais e não elas. Cabe aos pais não permitir que seu filho corra ou grite em um ambiente público."

    Outro chef, responsável por um restaurante francês em São Paulo, concorda. "Criança não para mesmo. E cabe aos pais chamarem a atenção delas", explica. "É desagradável quando chega ao ponto dos garçons terem que dar bronca nos filhos de clientes. E isso acontece muito."

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    Eles primeiro!

    Para evitar tumulto na mesa, muitas casas apostam em uma estratégia quando veem que a mesa tem crianças: a comida deles chega primeiro. "Criança tem prazo de validade, não tem jeito. Por isso a gente sempre acelera a comida deles e manda primeiro para a mesa o prato das crianças", explica Fernanda Duarte, do restaurante paulistano Mimo. "Assim, dá para os pais ajudarem os filhos e depois eles próprios comerem com mais tranquilidade." Vale pedir ajuda aos garçons na hora de fazer o pedido para adiantar o pedido da ala infantil - ou então abusar de entradinhas para ir distraindo a fome.

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    Menu kids, sim ou não?

    A resposta varia de lugar para lugar. O restaurateur Lalo Zanini, da Tartuferia San Paolo, trabalha na área há trinta anos e conta que desistiu do cardápio infantil. "Para mim, não vale a pena. As crianças são naturalmente curiosas, querem comer o que os pais estão comendo. Reduzir as opções é subestima-los".

    Já Fernanda Duarte tem um menu kids no Mimo, com pratos mais simples. "Mas a gente conversa com a mãe, personaliza o prato, adiciona arroz, legumes... Depende da situação e da criança. Tem quem quer experimentar tudo: uma vez, atendi no restaurante um menino que pediu um prato com mariscos e dizia que gostava mesmo de comida diferente."

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    Questão de horário (e de lugar)

    Para evitar crises, vale um pouco de bom-senso quanto ao horário e o local para levar a meninada para comer fora. À noite, por exemplo, o mais recomendado é ir o mais cedo possível. "Não dá para fazer um almoço romântico no domingo porque vai ter criança", comenta Fernanda. "É tudo uma questão de escolher o lugar para que a criança não vá se entediar."

    Dispositivos eletrônicos costumam ser bem tolerados pelos chefs, desde que não tenham volume muito alto a ponto de incomodar os outros clientes. Mas há quem se queixe um pouco do uso indiscriminado de tablets, porque acaba reduzindo o convívio à mesa. "É triste, mas há muito tempo não vejo correria nos restaurantes porque a criança ou está no tablet ou no celular dos pais", conta um dos entrevistados.

  • Imagem: Divulgação
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    Geração "MasterChef"

    A gastronomia é assunto quente na televisão - e acaba sendo influência para as crianças. "Os programas sobre chefs ajudam muito", conta Lalo Zanini. "Tenho notado muita mudança por causa disso: antigamente, batata rústica, com casca, a criançada não comia de jeito nenhum. E agora comem! Na Tartuferia, tive uma festa de aniversário de dois adolescentes com 13, 14 anos - e eles que escolheram o lugar."

    Fernanda Duarte conta que não é raro encontrar comentários de crianças nos cartões que ela deixa à disposição dos clientes. "Uma vez, tinha uma cartinha muito bem escrita elogiando o prato - no fim, ele disse que 'só faltou milk-shake' para a refeição ficar perfeita", diz.

    Um dos chefs que pediu sigilo também se diverte com os comensais mirins. "O legal é que quando eles gostam, viram clientes mesmo. Nesse final de semana tive uma família que almoçou aqui porque o filho de quatro anos pediu para vir!". Ou seja, a paciência com eventuais birras acaba valendo a pena.

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