Receitas

Associação diz que pizza genuinamente italiana está ameaçada

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Segundo estudo da Coldiretti, associação que representa os agricultores italianos, a pizza italiana já não merece esse nome Imagem: Thinkstock

Marcelo Crescenti

De Milão, para a BBC Brasil

01/07/2014 15h19

Um dos pratos mais típicos da Itália está no centro de uma polêmica: a associação italiana de agricultores acusa as pizzarias do país de usarem cada vez mais ingredientes estrangeiros e deturpar o produto. Enquanto isso, se agrava a escassez de pizzaiolos no país.

Segundo um estudo da Coldiretti, associação que representa os agricultores italianos e está diretamente interessada na venda de produtos nacionais, a pizza italiana já não merece esse nome: 63% das pizzas feitas no país conteriam ingredientes estrangeiros.

A associação diz que muitas pizzas são feitas com tomates chineses ou provenientes dos Estados Unidos. A farinha de trigo vem frequentemente da França, da Alemanha e até da Ucrânia. E boa parte do azeite de oliva viria da Tunísia ou da Espanha.

Segundo a Coldiretti, muitos pizzaiolos não usam muçarela verdadeira, mas sim queijos feitos à base de leite em pó. Só no ano passado a Itália teria importado mais de 100 mil toneladas de molho de tomate concentrado e 480 mil toneladas de azeite de oliva.

"Essa grande quantidade de matéria-prima vinda do exterior compromete a originalidade italiana do produto, que é vendido em 40 mil pizzarias em todo o país", diz a associação, solicitando que os pizzaiolos empreguem mais produtos nacionais.

"A produção italiana não basta para podermos fazer todas as pizzas vendidas no país, nós temos que importar", afirma um porta-voz da Associação de Pizzarias Italianas (API), sediada em Roma.

O porta-voz disse à BBC Brasil que o importante é a qualidade da pizza. "Se um pizzaiolo compra tomates americanos, essa é sua decisão pessoal. O que importa é que eles sejam de ótima qualidade, para não comprometer o produto."

A cada semana são consumidas 56 milhões de pizzas na Itália, quase uma por habitante, segundo dados da Fipe, a federação italiana que representa os donos de bares e restaurantes. O setor dá emprego a cerca de 100 mil pessoas.

Falta de pizzaiolos
A pizza é um dos pratos mais populares da Itália. Mesmo assim falta mão de obra qualificada para as pizzarias no país.

Nos últimos anos o setor cresceu, apesar da crise econômica vigente. Segundo a confederação italiana do comércio Confcommercio, de 2010 a 2014 o faturamento aumentou em 5%, atingindo quase 10 bilhões de euros (cerca de R$ 30 bilhões).

A associação estima que faltam cerca de seis mil pizzaiolos no país. "O crescimento do setor é favorecido pelo baixo investimento necessário para abrir uma pizzaria. Mas isso leva à escassez de mão de obra especializada", diz a Confcommercio.

Isso afeta também a cidade que é considerada o berço da genuína pizza italiana – Nápoles, no sul do país, aonde também faltam especialistas no prato típico local.

Por isso a "associação da verdadeira pizza napolitana" aumentou de 80 para 120 as vagas nos cursos de pizzaiolos e está fazendo campanha para atrair mais jovens para a profissão.

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