Receitas

Baiana no MasterChef inglês quer mostrar que cozinha do Brasil é mais que feijoada

BBC
Luciana costuma usar ingredientes brasileiros nas receitas apresentadas no programa Imagem: BBC

Mariana Della Barba

Da BBC Brasil em São Paulo

09/12/2014 11h19

"Eu sempre quis participar desse programa, principalmente para mostrar que a cozinha brasileira não é só feijoada e churrasco.

Me inscrevi meio na loucura. Na pré-seleção, me perguntaram se eu já tinha cozinhado para alguém famoso. E adoraram quando eu respondi que sim, que tinha cozinhado para o príncipe Edward, filho da rainha.

Em algumas provas, fiquei bem tensa, mas tento me controlar, porque estou lá para mostrar a comida brasileira da maneira como deve ser servida e mostrar que temos pratos maravilhosos.

Porque aqui [em Londres], no geral, as pessoas acham que nossa cozinha se resume a feijoada e churrascaria. Já passei muita vergonha levando amigos em restaurantes brasileiros aqui. Quando tentam fugir dessa dupla, o sabor fica péssimo.

Isso é inacreditável, se você for ver a quantidade de ingredientes maravilhosos que temos. No programa, já usei mandioca, açaí, farofa, feijão tropeiro... coisas que ninguém nem tinha ouvido falar.

Às vezes, tenho que dar uma adaptada no prato, como com a moqueca de lagosta que eu fiz. Deixei mais suave, funciona melhor para o paladar do inglês. Quando faço moqueca tradicional no meu buffet, também maneiro no dendê. Ah, fico com medo, né?

Os jurados também adoraram quando eu fiz bacalhau confit, chuchu com 'caviar' de sagu e bolinho de bacalhau. O chef Marcus (Wareing, que tem duas estrelas no renomado Guia Michelin) disse que eu o levei para o Brasil com aquele prato.

Nessa prova, a gente podia escolher os ingredientes antes e quando pedi para comprarem sagu, eles ficaram loucos, me ligaram várias vezes, porque não encontravam de jeito nenhum. O jeito foi eu levar um pouco do que tinha em casa.

Mas eu acho que o prato que mais impressionou foi a empada de miúdos. Eu sabia que todo mundo ia fritar, porque essa é a saída quando você não sabe o que fazer com algum ingrediente. Então eu decidi fazer algo diferente e me arrisquei: decidi fazer uma empada.

Usei o limite máximo de manteiga na massa, para derreter bem na boca. E os jurados me perguntaram se eu ia ter tempo de fazer aquilo. E quando eu falei "I will" (eu vou) , nossa, acho que foi Deus que botou a mão naquela empada.

No recheio, ainda acrescentei maçã, espinafre, champignon, vinho e molho de carne. Os jurados adoraram e eu passei naquela etapa.

À medida que eu fui avançando no programa, aconteceu algo engraçado, eu comecei a ser reconhecida. As pessoas na rua me desejam boa sorte. O taxista quis tirar uma foto comigo. Meu açougueiro me deu parabéns. E o Consulado Brasileiro me escreveu agradecendo por estar mostrando a nossa comida. Fiquei bem feliz.

Antes de abrir minha empresa de catering (buffet), eu cozinhava em casa, mas alguns amigos começaram a me chamar para fazer comida nas festas deles. Eu só preparava pratos bem simples, como estrogonofe. Mas o negócio começou a crescer, então eu parei e decidi que eu precisava de um upgrade. E me matriculei na (escola de gastronomia) Le Cordon Bleu de Londres. E daí passei a cozinhar para um pessoal de poder aquisitivo mais alto.

Quando contei que ia participar do programa, meu professor disse que eu não teria chance, porque os chefes lá já eram profissionais há muito tempo. Mas agora a coisa mudou e o pessoal da escola me ligou, querendo que eu vá lá fazer um discurso e tal.

É tudo muito engraçado, porque antes de vir para Londres, eu cursava engenharia elétrica em Salvador. Fiz três anos. Eu vim para ficar três meses, mas acabei ficando. Meus amigos da faculdade nem acreditam que eu virei chef. 'Você era tão boa de cálculo, mal sabia fritar um ovo', eles dizem.

No próximo episódio (que vai ao ar nesta terça-feira, pelo canal BBC 2, ainda sem previsão de exibição no Brasil), eu vou disputar somente contra outro concorrente, e a prova era cozinhar frutos do mar. Se eu passar, estou na final.

Minha família está super na torcida. Lá em Salvador, minha avó fica na frente da TV de joelhos, rezando e gritando. E como ela não fala inglês, fica olhando bem para minha cara. E só comemora quando eu começo a sorrir."

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