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Falta de garrafas preocupa cervejarias alemãs em um dos verões mais quentes

Getty Images
Imagem: Getty Images

23/07/2018 09h25

Um dos verões mais quentes das últimas décadas faz com que as cervejarias alemãs alertem para a falta de garrafas para seu produto, pedindo que os consumidores devolvam os vasilhames que guardam em casa, de preferência antes de viajarem nas férias de verão.

"Há um problema dramático em todo o setor", afirma Niklas Other, editor da revista especializada em cerveja Inside.

Segundo ele, algumas cervejarias do país não estão conseguindo mais engarrafar determinados tipos de cerveja. O problema estaria afetando de forma mais forte o comércio especializado na venda de bebidas, que reclamam da falta de investimento de algumas cervejarias na aquisição de engradados e vasilhames.

A Federação dos Cervejeiros Alemães também registra uma "especial escassez de garrafas” neste ano. "Justamente nos meses de verão pode haver faltas de vasilhames", afirmou o porta-voz da entidade, Marc-Oliver Huhnholz. Por isso, o setor apela para que os consumidores devolvam o mais rápido possível as garrafas ao comércio.

A cervejaria Fiege, da cidade de Bochum, divulgou nas mídias sociais um apelo para que seus fregueses devolvam o quanto antes os engradados que mantêm em casa. O anúncio, publicado no Facebook, foi divulgado pelo jornal WAZ. "Embora compremos regularmente vasilhames, estamos tendo falta de garrafas em nossas unidades de engarrafamento”, afirma o texto.

A Fiege, uma cervejaria local, considerada de médio porte, afirma que normalmente vende entre 100 mil e 120 mil garrafas por dia. Neste verão, entretanto, a média vai de 150 mil a 160 mil unidades.

Uma preocupação dos cervejeiros são os engradados que muitos alemães costumam deixar nos porões de seus lares quando viajam nas férias.

Os porta-vozes das cervejarias Veltins e König-Pilsener, duas empresas grandes, que vendem suas marcas praticamente em toda a Alemanha, afirmam que já encomendaram engradados adicionais, se prevenindo do problema.

Na Alemanha, o depósito para uma garrafa de cerveja reutilizável de vidro custa – com algumas exceções – oito centavos de euro. Há estimados dois bilhões de vasilhames do tipo em circulação no país, cuja população é de 82.6 milhões, com os cascos sendo reaproveitados numa média de 36 vezes.

Entretanto, nem todas as cervejarias usam o mesmo modelo de garrafa, o que agrava o problema. As cervejarias que trabalham com vasilhames mais diferenciados – como é o caso da Fiege, que emprega garrafas com tampa de porcelana – têm dificuldade em obter substitutos nos períodos de maior demanda.

A venda e produção de cervejas em lata é dificultada na Alemanha por uma lei determinando a obrigatoriedade do depósito de 25 centavos de euro para vasilhames de metal e plástico. A lei fez a venda de bebidas em lata cair drasticamente, dos 7,5 bilhões em 2002 para 300 mil em 2003, ano em que passou a vigorar.

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