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Produtores de champanhe já sentem efeitos da mudança climática

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Elin McCoy

Da Bloomberg

06/08/2018 16h16

Nas adegas frias e calcárias do porão da loja da A.R. Lenoble, o proprietário Antoine Malassagne fala de suas preocupações em relação ao futuro do mundialmente famoso champanhe da região. O estilo clássico depende de uma acidez seca e picante e de aromas intensos, frutados, salgados e minerais, resultado de um solo profundo e calcário e de um clima até agora muito frio.

Mas a pergunta é: como o sabor que amamos pode se manter inalterado em face da mudança climática?

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Até agora, o aquecimento global tem mantido a fria região de Champagne, na França, em condições climáticas ideais, com temperaturas médias que garantem que as uvas amadureçam todos os anos. Mas tem uma coisa, diz Malassagne. Os botões aparecem mais cedo, então as geadas da primavera são mais destrutivas. Noites mais quentes aceleram o amadurecimento, mas também trazem novas pragas e doenças.

"A colheita é duas semanas mais cedo do que há 20 anos", explica ele em uma manhã muito quente de julho na sua vinícola em Damery, a 15 minutos de carro de Épernay, o coração da região de Champagne. "Ia de meados a fim de setembro. Agora, a colheita começa em agosto, como vai ser neste ano. Mas o amadurecimento em dias e noites quentes tem como consequência uvas com uma acidez cada vez menor, o que significa menos frescura nos vinhos." Isso também é essencial para o sabor do champanhe: a acidez é o que permite que os vinhos envelheçam.

Técnicas

Em 2010, Malassagne começou a trabalhar para achar uma maneira de garantir que seu futuro champanhe mantenha suficiente intensidade.

A técnica básica do champanhe de misturar diversas variedades (chardonnay, pinot noir e às vezes meunier), vinhas e safras era a maneira que os produtores de vinhos compensavam anos ruins. O vinho reserva de safras mais antigas, por exemplo, acrescentava profundidade, complexidade e riqueza quando as uvas não amadureciam completamente.

Agora Malassagne está criando vinhos reserva para adicionar também "frescor", conservando-os em garrafões magnum cobertos por cortiça natural para preservar os sabores mais intensos. Cerca de 70.000 estão armazenados na adega longa e pouco iluminada. Seus dois novos e deliciosos cuvée -- Lenoble Intense "mag 14" e Lenoble Grand Cru Blanc de Blancs Chouilly "mag14", lançados em maio -- são os primeiros a incorporar esses novos reserva.

Essa é só uma das muitas maneiras que os produtores da região de Champagne estão testando para manter o estilo borbulhante que conhecemos. A Champagne Bruno Paillard está experimentando cobrindo o solo dos vinhedos com palha para impedir que a luz do sol destrua a vida microbiana. Outros estão usando técnicas de elaboração de vinhos como bloquear a fermentação malolática (a segunda fermentação no barril, que transforma o ácido málico, de sabor fresco, em ácido lático, mais suave) para dar maior acidez ao vinho.

A onda de calor de 2003, quando a França cozinhou com temperaturas recorde no verão, foi um alerta para muitos produtores. Ao longo dos seis meses mais recentes de 2018, segundo a associação comercial Comitê Champagne (CIVC), a temperatura da região ficou 2 graus acima da normal e esta será a quinta safra das últimas 15 a iniciar a colheita em agosto.

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