Após Quaresma, carne vermelha pode integrar o almoço de Páscoa

Luciana Alvarez

Do UOL, em São Paulo

O grande destaque do domingo de Páscoa são os ovos de chocolate, mas ninguém deve deixar de reunir a família também em volta da mesa para um delicioso almoço. Livre de qualquer obrigação religiosa de jejum ou abstinência, a refeição da data deve ser farta e ter uma boa opção de carne vermelha, recomendam especialistas em gastronomia.

“É comum que as pessoas sirvam carne porque, tradicionalmente, elas fazem um resguardo, seja durante toda a Quaresma, ou apenas na Sexta-Feira Santa. Então, estão todos esperando para poder comer carne, o que a deixa ainda mais gostosa”, afirma Renato Vieira, professor do curso de gastronomia do Centro Universitário Senac.  

Apesar de não haver um prato tradicional, Vieira afirma que o cordeiro é uma carne com a cara da Páscoa, especialmente pela simbologia religiosa -os judeus tradicionalmente sacrificavam um cordeiro na data; para os cristãos, Jesus é chamado de “Cordeiro Pascal”, por ter se entregado em sacrifício.  “É uma carne ainda um pouco difícil de ser encontrada, mas está ficando cada vez mais comum e barata”, diz o professor.

Para Graziela Milanese, professora do curso de gastronomia da Universidade Anhembi-Morumbi, a recomendação também é preparar uma boa carne. “Na cultura católica cristã, o ato de não comer carne é abster-se de comer algo nobre em homenagem ao sacrifício de Jesus. Mas o domingo de Páscoa celebra a vida nova, a ressurreição de Jesus. Para comemorar, o cardápio é liberado”, afirma. A professora sugere uma mesa bem servida, tendo como prato principal um guisado de carne com lentilhas e passas. O prato pode ser preparado com carne de boi ou de cordeiro (confira a receita).

  • Guisado de Carne com Lentilhas e Uvas-Passas é uma opção de receita para o almoço do domingo

    Guisado de Carne com Lentilhas e Uvas-Passas é uma opção de receita para o almoço do domingo

Tradição judaica

Os judeus também celebram a Páscoa, chamada por eles de Pessach, que significa "passagem". A data lembra a libertação do povo judeu da escravidão no Egito, ocorrida há cerca de 3.500 anos.  A Pessach começa sempre no dia 14 do mês de "nisan", do calendário judeu, o que corresponde neste ano ao dia 6 de abril.

A festa dura oito dias e, durante todo o período, os judeus não comem farinha, grãos ou qualquer alimento fermentado. O único pão que deve ser comido durante a comemoração é o matzá, que não é fermentado. A tradição faz referência à fuga do povo judeu: sob o comando de Moisés, eles teriam deixado suas casas no meio da noite e não houve tempo para o pão fermentar.

Há diversos rituais observados na data. “O Seder, jantar festivo que acontece nas duas primeiras noites, celebra através de comidas e rituais simbólicos a experiência dos antepassados na noite que partiram do Egito”, afirma Betty Kovesi Mathias, proprietária da escola de culinária Wilma Kövesi. Para essas noites, explica, é montado um prato que fica no centro da mesa, o Kearat, onde são colocados alimentos que todos vão provar durante a leitura da Hagada, que conta a história da festa. Entre os alimentos degustados estão:

Zeroá - um osso de perna assado e chamuscado, representando o cordeiro pascal, que em alguns lares é substituído por pescoço ou perna de frango;

Beitzá - um ovo cozido, descascado e queimado, representando a oferenda festiva que era levada ao templo. Também um símbolo de luto pela perda dos dois templos em Jerusalém;

Maror - ervas amargas (geralmente usa-se raiz forte em pedaços ou ralada) para relembrar a amargura da escravidão no Egito;

Karpas - ramos de salsa, salsão, ervas verdes ou qualquer verdura (pode ainda ser batata cozida), simbolizando o renascimento da natureza ou primavera, a esperança de libertação que se renova após o inverno da opressão;

Charosset - uma mistura de maçãs raladas, nozes moídas, vinho tinto e canela, representando a argila com que os antepassados executavam os serviços de construção durante a escravidão;

Água salgada - simbolizando as lágrimas derramadas pelos judeus escravizados no Egito.

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