Cerveja

Preferência nacional, Pilsen é a principal porta de entrada para o mundo da cerveja

Leticia Rocha

Do UOL, em São Paulo

12/09/2012 22h26

A paixão do brasileiro por cervejas dispensa explicações. É a bebida que transita por todos os nichos e vai da mesa de bar às grandes comemorações. Se há dúvidas de sua veia democrática, os números ajudam a comprovação: ela é dona da gorda fatia de 90% do mercado de bebidas alcoólicas no país, segundo a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe). Destilados, vinhos, cachaça e demais bebidas dividem os 10% restantes.


Mas a cerveja vive um novo cenário no Brasil. Tal como grande parte do planeta, o país festeja o boom das cervejas especiais, um mundo particular que vai muito além da velha conhecida dos brasileiros -a loira gelada, suave e de espuma abundante. Esta foi criada em 1842 na cidade da qual leva o nome, Pilsen, na região da Boêmia, pertencente à República Tcheca. Ela domina 60% do mercado de cervejas e chopes produzidos no mundo. No Brasil, ela detém 98% do mercado.

Muitas são as denominações para ela: Pilsener, Pilsen, Pils -este adotado pelos padrões internacionais. Trata-se de uma bebida de baixo teor alcoólico (3 a 5%) e que pertence ao estilo das Lagers - cerveja dourada, filtrada e fermentada em baixa temperatura (5 a 16 graus). “Dentro desse universo, a Pilsen que o brasileiro aprecia é chamada de American Light Lager. É a bebida mais leve, fácil de tomar”, explica Susana Jhun, docente do curso de Gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Cenário ascendente
Susana Jhun é responsável pela disciplina de enologia e harmonização na instituição paulistana, a princípio dedicada ao vinho e à combinação deste com receitas. O cenário tão animador para a bebida no país fez com que o mundo da cerveja fosse integrado ao acadêmico. Em 2011, o Brasil se destacou como o terceiro produtor mundial de cerveja, com 13,3 bilhões de litros , segundo a Abrabe.

Os dados da entidade também apontam que o volume representa 433 milhões a mais que o ano anterior; e o consumo per capita do brasileiro foi de 64,4 litros ao ano. “Nesse contexto positivo, o Brasil é um dos países que mais se destaca no mercado mundial. Crescemos não só na produção e no consumo, mas, sim, na fabricação e na escolha do consumidor por cervejas de qualidade, especiais”, diz a docente.

Com entusiasmo, a tarefa é transmitir aos estudantes o quão rico é o universo da cerveja e mostrar à nova geração de profissionais o potencial que existe enraizado em uma das bebidas mais antigas da humanidade. E treiná-los, afinal, muitos deles estarão à frente de negócios nos quais o novo mundo cervejeiro terá de fazer parte.

Disputa nas prateleiras
Se grandes rótulos importados dividem espaço com boas sugestões das jovens microcervejarias nacionais, a briga é boa. Sem saber por qual caminho seguir, aos que começam a se aventurar nesse universo vale uma regra básica: “Comece com as mais simples e menos alcoólicas, e aos poucos, partas para as mais complexas”, aconselha Luiz Caropreso, sommelier de cervejas do Melograno, bar e empório especializado em São Paulo e professor do curso de Sommelier de Cervejas do SENAC-SP.

O especialista ajuda a entender o que é essa complexidade: são características que dão personalidade à cerveja, tais como notas frutadas, florais e de especiarias. “Paras os iniciantes, sugiro mesmo as cervejas do tipo Pilsen, que possuem subtipos como as Bohemian Pilsener ou German Pilsener, e que são mais refrescantes”, indica o sommelier.

Em seguida, o caminho sugerido é continuar no mundo das Lagers, com rótulos do tipo Weissbier, que são cervejas de trigo. “Mesmo ligeiras, elas já trazem personalidade, como notas de especiarias, de frutas e tostadas”, explica Caropreso.  

O próximo passo inclui estilos mais elaborados, complexos e mais alcoólicos. A ordem sugerida pelo sommelier é partir para as cervejas do tipo Bock. Elas ainda fazem parte do grupo das Lagers, mas que já carregam um pouco mais de corpo, amargor e cor, que já tende para o vermelho.

Explorado esse universo, a sugestão é conhecer as Ales, estilo que perdurou como único até a invenção da Lager, em meados século 19. De alta fermentação (15 a 25 graus) e de grau alcoólico alto (7 a 12%), são vigorosas e de características bem perceptíveis de corpo, aroma, sabor. Por classificação, é uma família que se divide em tipos diferenciados, em linhas gerais, pela cor e evolução de corpo e potência. Pale ale, é clara e mais suave; a amber ale é um pouco mais escura, enquanto a brow ale é mais escura e maltada. Por fim, a red ale é avermelhada e tostada.

“As ales são como vinho e podem ser uma sugestão boa aos amantes dos brancos e tintos: supercomplexas, cheias de sabores e aromas para desvendar”, diz Leticia Borges, sommelière da Casa da Cerveja, importadora e distribuidora localizada em São Paulo. “Os belgas são especialistas nesse tipo de cerveja. Frutas vermelhas, café, ervas são características dessas bebidas mais autorais e inovadoras. Eles não são tão tradicionalistas como os alemães”, diz a sommelière.

Por fim, na rota de evolução da degustação estão as cervejas do estilo Lambic, as mais raras que existem. O título deve-se ao processo de produção, um dos mais antigos da história, o de fermentação espontânea. Atributos suficientes para ser considerada a mais peculiar das cervejas.

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