Receitas de Bebidas

Canoinhense, uma das cervejarias mais antigas em atividade no Brasil

Divulgação
Fachada da catarinense Canoinhense, a estrela do documentário "Cerveja Falada" Imagem: Divulgação

Joana Santana

do UOL São Paulo

16/10/2012 10h34

Quando o assunto é a trajetória e a evolução da cerveja no país, não dá para deixar de lado as histórias da Cervejaria Canoinhense, de Canoinhas (SC), e de seu fundador, Rupprecht Loeffler. Tanto que o Dia da Cerveja Brasileira, instituído no ano passado pelo grupo BBC, dos Blogueiros Brasileiros de Cerveja, é o 5 de junho, data de nascimento do mestre-cervejeiro, catarinense filho de imigrantes alemães que chegaram ao Brasil meio por acaso. "Ele e sua fam[ilia foram guerreiros e conseguiram a duras penas manter a produção artesanal por tanto tempo", revela Carlos Alberto Tavares Coutinho, do blog Cervisiafilia e membro do BBC.

No dia de embarcar para o Canadá, o pai de Loeffler, um apaixonado por chope como todo bom alemão, perdeu a hora e o navio no balcão de um bar. Quando chegou, atrasado, à companhia marítima, foi informado que se não quisesse perder a passagem, poderia pegar outro, com destino ao Brasil, que estava de partida.  Essa e outras tantas curiosidades são contadas no documentário “Cerveja Falada”, curta metragem que retrata a história da cervejaria do “seu Lefra”, como ficou conhecido na região.

Criada por Loeffler pai no início do século passado, a cervejaria ainda foi do irmão mais velho de Rupprecht, antes de passar para as suas mãos. Nesta trajetória, mudou uma coisinha ou outra no nome, mas segue fabricando a cerveja do jeito aprendido ainda em Munique, na Alemanha, com receitas que garantem estarem na família há cinco gerações. Também usa, ainda hoje, equipamentos daquela época, como os tonéis de carvalho alemão que têm mais de cem anos, para produzir as escuras Nó de Pinho e Malzebier e as claras Jahu e Mocinha.

“Nós estávamos filmando outro projeto, sobre as cervejas de Santa Catarina, quando conhecemos a Canoinhense e ficamos impressionados com aquele ambiente e tudo que ele representa”, lembra Luiz Henrique Cudo, um dos diretores, ao lado de Guto Lima e Demétrio Panarotto. “Decidimos, então, já em 2010, dedicar um documentário inteiro ao tema, procurando mostrar a cervejaria e o bar anexo a ela como personagens dessa história”, explica.

Luiz Henrique conta que as gravações duraram, ao todo, três semanas. Nesse período, seguiram a rotina do “seu Lefra”, que com 92 anos, acompanhava diariamente a produção, as vendas e recebia os clientes para um gole e um dedo de prosa. Segundo o diretor, as entrevistas colhidas para o documentário não foram agendadas: “a princípio, foram os clientes que chegaram por acaso. Depois, à medida que o tempo foi passando e as pessoas ficaram sabendo da filmagem, começaram a ir lá para dar o seu depoimento sobre ele e a cervejaria, duas instituições da cidade”.

Ao longo desse período, claro que a equipe tomou muita cerveja artesanal, e cada um elegeu suas favoritas. Para Guto Lima é a Nó de Pinho. Luiz Henrique concorda e acrescenta também a Jahu, mas admite que os sabores peculiares podem não agradar a todos de imediato. “A Canoinhense fica ainda melhor se bebida lá, onde o tempo é outro”, justifica Guto.

Um gole e um dedo de prosa
Por quase 20 minutos, “Cerveja Falada” enfileira um punhado de casos curiosos, como o do palpite do pai, que salvou a produção da empresa durante a Segunda Guerra Mundial. Loeffler conta que, por volta de 1935, seu pai viu que as tensões cresciam na Europa e mandou importar da Alemanha todo o lúpulo que eles pudessem guardar. Eram quilos e mais quilos e a cervejaria, o bar e a casa ficaram cheios de lúpulo. Quando a guerra estourou, quatro anos depois, eles tinham insumo para fabricar cerveja pelos próximos cinco.  

Em outra passagem, uma história interessante data de 1924, ano em que o então deputado gaúcho Getúlio Vargas mandou tropas do Estado a São Paulo para apoiar o presidente Artur Bernardes contra a Revolta Paulista. Na ocasião, passando pela Canoinhense, os soldados aproveitaram para matar a sede. Fizeram a festa e assinaram a nota, que ´penduraram', assegurando que a conta seria paga pelo próprio Getúlio. Loeffler bem que tentou receber, mas morreu, em fevereiro do ano passado, com o débito em aberto.

De acordo com Luiz Henrique, hoje é a dona Gerda, viúva de Rupprecht e sua esposa por 63 anos, quem toca o bar da cervejaria, que antes abria de segunda a segunda. Agora, funciona em horários mais restritos. Os dois assistentes, que Loeffler considerava seus braços direitos, continuam a produzir a cerveja do jeitinho que aprenderam com o chefe. Já na opinião de antigos clientes, ele foi uma pessoa que teve a capacidade de juntar pessoas para conversar e beber. E, assim, de fabricar uma “cerveja muito boa, uma cerveja falada”.

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