Receitas

Confrarias de cerveja misturam pesquisa e diversão

Divulgação
A Dry Stout Holiday, das Maltemoiselles, é inspirada na cantora Billie Imagem: Divulgação

Joana Santana

do UOL, São Paulo

06/11/2012 16h23

Há muito que a palavra confraria deixou de se referir apenas aos grupos religiosos, para ganhar um significado mais amplo. Também faz tempo que os apaixonados por vinho se reúnem em grupos para degustar a bebida e estudar todos os seus aspectos. Mais recentemente, com a multiplicação dos rótulos nas prateleiras de todo o país e a crescente oferta de variedades artesanais, essa onda chegou às cervejas. As confrarias cervejeiras vão surgindo aqui e ali, como quem não quer nada, e acabam criando uma rede de entusiastas.

Criada em 2005, a Confraria do Marquês reúne um grupo familiar, formado por primos e compadres, que começaram a se reunir para degustar e estudar a produção caseira de cerveja. “Fomos percebendo que esse movimento artesanal era ainda pequeno e muito espalhado e resolvemos organizar nosso primeiro curso”, relembra o pedagogo Tiago Dardeau, um dos fundadores. “Já no ano seguinte, nos envolvemos na criação da ACervA Carioca, primeira de um quadro que hoje conta com presença em dez estados”, relata ele sobre a Associação dos Cervejeiros Artesanais.

E põe familiar nisso! Eduarda Dardeau, irmã de Tiago, passou a frequentar encontros cervejeiros com as amigas e conheceu a mineira CONFECE, primeira Confraria Feminina de Cerveja do país. “Decidimos, então, criar nosso próprio grupo, com as nossas próprias regras, e surgiu a FemAle Carioca, que já está no quarto ano”, explica ela, que é administradora e consultora em gestão empresarial. “Tentamos nos encontrar mensalmente para conhecer novos rótulos e estilos, porque é tanta cerveja nova surgindo no Brasil, que não se pode tomar tudo sozinha!”, conclui.

Na esteira da FemAle, surgiu a paulista Maltemoiselles, que começou a se reunir em 2010 e é formada por um punhado de amigas que gosta de cozinhar, de comer e de beber. “A primeira aula de cerveja que tivemos foi uma experiência: desmistificou clichês, proporcionou descobertas e abriu nossos sentidos para novos sabores”, atesta Larissa Januário, jornalista, autora do blog Sem Medida e integrante da turma. “A partir daí, começamos a pilotar nossas próprias brassagens e a criar nossas receitas”, explica, sobre os rótulos que têm sempre nome de divas, como a Love, uma Weiss inspirada em Courtney, ou a Holliday, uma Dry Stout que homenageia Billie.

Em geral, o que todas as confrarias cervejeiras têm em comum é o compromisso com a diversão, mas elas podem acabar rendendo um pouco mais. Em setembro, uma das maltemoiselles foi para a Europa e bateu à porta da escocesa BrewDog levando uma Belgian Golden Strong Ale de safra própria. Agora trabalha como beer sommelier num dos bares da cervejaria em Londres. “Adoro ajudar as pessoas a escolher a melhor cerveja para o seu paladar e minha satisfação é conquistar aqueles que chegam dizendo não gostar de cerveja, mostrando coisas diferentes”, comemora Ingrid Calderoni.

Algumas confrarias se formam, ainda, com uma mãozinha da internet. O Brejas é um dos mais tradicionais portais sobre o assunto, reunindo guia, testes, ranking, comunidade e um fórum de discussões, que foi o ponto de partida para a criação da Confraria Cervejeira Campineira, em 2010. “Somos quase 20 pessoas que se encontram mensalmente para avaliar um estilo específico em casas especializadas em cervejas especiais. A gente brinca com os amigos da ACervA Paulista que o nosso trabalho é colocar defeito no deles”, conta Paulo Gomes, presidente da associação.
 
Uma confraria para chamar de sua
Como se vê, os confrades estão em toda parte e este colega sentado ao seu lado aí no escritório pode ser um em potencial! Para quem quer começar a sua própria confraria, algumas dicas podem ser úteis. Todos são unânimes em dizer que o primeiro passo é reunir pessoas com os mesmos objetivos, sejam amigos pessoais, parentes ou não. “O grupo deve decidir se o interesse é degustar, avaliar, produzir, estudar ou tudo isso, e combinar algumas regras, como quem pode fazer parte e qual será a frequência dos encontros”, enumera Tiago.

O perfil da confraria deve refletir seus integrantes. Segundo Paulo, a CCC leva a sério a avaliação das cervejas e se dedica a pesquisar referências de fichas técnicas em veículos de referência como o americano Beer Advocate e o próprio Brejas. “Mas é preciso haver um equilíbrio entre estudo e curtição”, pondera. “Para nós, o importante é manter um ambiente legal e descontraído”, relata a femAle Eduarda. Larissa conta que o clima luluzinha rola mesmo na Maltemoiselles. “Comparamos as cores das cervejas às dos esmaltes e aproveitamos pra falar da vida entre um gole e outro”.
 
Por fim, a maltemoiselle sugere ainda que você não se preocupe com copos e taças. “O arsenal vai crescendo aos poucos, à medida que o paladar vai se treinando e amadurecendo”. Beber e conversar, é só começar!

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