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Restaurantes investem em café de qualidade e mimos para o cliente

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Blends exclusivos e cafés de lotes especiais são servidos em restaurantes ao preço médio de R$ 5 Imagem: Thinkstock

Kelly Stein

Do UOL, em São Paulo

09/08/2013 19h44

Sempre um coadjuvante, o café tradicionalmente entra em cena apenas para finalizar as refeições em restaurantes. Ele tem a responsabilidade de fechar o almoço ou jantar com chave de ouro, mas nem sempre é assim.

“Muitas vezes, um café ruim será a lembrança mais forte que a pessoa terá depois de comer. Do que adianta uma experiência maravilhosa com a comida, se o café mal extraído ou de qualidade ruim vai estragar tudo no fim?”, questiona a barista do Centro de Preparação de Café, Cleia Junqueira.

Este cenário começou a mudar nos últimos quatro anos. Restaurantes em diversas partes do Brasil estão apostando nos cafés de qualidade para oferecer a melhor experiência gustativa para seus clientes.

Este é o caso dos restaurantes como Vito, Chou, Maní e Esquina Mocotó, em São Paulo, Belo Comidaria de Belo Horizonte (MG) e Mira, do Rio de Janeiro (RJ), onde blends exclusivos ou cafés de lotes especiais são servidos ao preço médio de R$ 5 a xícara. Esta mudança vem acompanhada de uma novidade: além do tradicional expresso, é possível pedir um coado fresco para finalizar a refeição.

De acordo com o chef André Mifano, do Vito, a ideia de trocar o café surgiu há três anos depois de algumas conversas com a barista Isabela Raposeiras. “Gostamos de inovar, de lançar o novo. O produto que ela apresentou era muito bom, por isso, fazia sentido servir aqui”, conta.

O que não se esperava é que esta melhoria não seria bem aceita, os clientes preferiam o antigo. “Quando mudei o café, as reclamações surgiram. Por isso, eu o servia mesmo contra a vontade dos meus clientes. Cheguei até a oferecer o café sem cobrar, para eles experimentarem. Tive que passar por um momento de educação, explicando as razões da mudança”, explica. Hoje, seus clientes já se acostumaram com a mudança. “As pessoas começaram a olhar para ele de outra forma”, diz Mifano

O café em cápsulas também tem sido importante neste processo de popularizar os cafés especiais e coleciona vantagens: ele fica pronto em tempo hábil e as chances de erro são pequenas, uma vez que tudo está pré-preparado e automatizado.

Carinho com o cliente

Além da bebida em si, existem alguns detalhes que demonstram cuidado com o cliente e que fazem a diferença. O acompanhamento do café é um exemplo disso. "Alguns radicais podem até condenar, mas é inegável que um docinho, biscoitos ou bolos são ótimos. Se o estabelecimento aposta nestes mimos, é sinal de cuidado e carinho com o cliente. Quem não gosta?",  pergunta Eliana Relvas.

  • Maria do Carmo/ Folha Press

    Café coado na mesa: mimo é sinal de cuidado com o público

Outro diferencial, segundo a cafeóloga, é o “show”. O café coado na mesa por exemplo, é uma das  formas interessantes de servir do que simplesmente aparecer com a xícara. “Essa é uma boa oportunidade para finalizar um jantar num restaurante", lembra Eliana

Mas como convencer empresários e restaurateurs a apostar em cafés melhores? A mudança está nas mãos dos consumidores. Exija qualidade. Se o café não estiver bom, devolva, assim como faria se o prato servido não lhe agradasse.

No fim das contas, ninguém precisa ser especialista da área ou um coffee sommelier para identificar o que é gostoso.

Para ajudar nesta missão, a cafeóloga e barista Eliana Relvas dá o caminho das pedras para reconhecer um café de qualidade e dicas para aproveitar a bebida ao máximo.

Café Espresso: ele deve apresentar uma crema (espuminha que fica sobre a bebida) com cor de avelã, que deve ficar marcada na parede da xícara enquanto se bebe
- Considerando que a crema concentra o amargor do café, é recomendável misturar bem antes de tomar. Assim, o sabor fica equilibrado
- Se não gosta de amargor, retire a crema com a ajuda de uma colher
Café Coado: ele não precisa ser extremamente escuro para ser bom ou forte. É natural que sua coloração varie de marrom até preto não muito escuro. Tonalidade e aroma de queimado ou levemente químico não são bons sinais. Fuja deste café
Açúcar no café: sim ou não? Colocar açúcar no café não é uma proibição. Se é sua preferência, não se iniba. A sugestão é fazer um teste para descobrir novos sabores e aromas: antes colocar adoçante ou açúcar, dê o primeiro gole para conhecer as reais características do grão. Com o tempo, a quantidade de açúcar diminuirá e o paladar estará mais treinado para identificar as diferenças entre eles
Aroma: o segredo é prestar atenção na primeira percepção. Ele deve ser agradável, intenso e marcante
Em casa: se a extração for feita em um filtro de papel ou no coador de pano, a bebida deve ter a quantidade de pó ajustada com a torra e a moagem: torras mais escuras e moagens mais finas exigem uma quantidade menor de pó de café. Na torra mais clara ou moagem mais grossa, usa-se maior quantidade de pó
Café com gostinho de quero mais: ele deve deixar uma sensação boa na boca. Se for realmente bom, a vontade de tomar outra xícara surgirá em pouco tempo

 

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