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Cereja de chuchu? Conheça alguns ingredientes que não são o que parecem

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Cerejas em calda podem ser feitas com chuchu e calda com corante Imagem: Getty Images

Anna Fagundes

Do UOL, em São Paulo

21/10/2013 07h00

Você comeria de bom grado bolinhas de chuchu com calda de açúcar? Pense bem antes de responder. Provavelmente você já encarou essa iguaria na vida –só que com o nome de cerejas em calda.

Vários alimentos, como as cerejas feitas com chuchu, são truques para baratear custos ou compensar a falta de ingredientes raros. No caso das cerejas em calda, às vezes o chuchu (matéria-prima barata, fácil de manusear e sem gosto pronunciado) ajuda a driblar a sazonalidade das cerejas verdadeiras –e seu preço, já que se trata de produto importado. As cerejas em calda norte-americanas, por exemplo, são feitas com frutas de verdade, mas de qualidade inferior --e carregadas de corantes e caldas para adquirir sua característica cor vibrante.

Outro exemplo conhecido de mito culinário são os bastões de kani kama –que não são feitos com caranguejo como a maioria das pessoas imagina, mas sim com massa de vários peixes, e aromatizados com extrato de caranguejo.

O kani kama, na verdade, é um tipo de kamaboko, ou pasta de peixe processada. O produto existe em vários formatos desde o século 14 no Japão. A versão industrializada, que é feita desde os anos 1970,  é modelada para lembrar pata de caranguejo –daí seu nome original japonês: “kani” é caranguejo, e “kama” é diminutivo para kamaboko.

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Gato por lebre
Na mesma linha de raciocínio, a “manteiga” da pipoca que todo mundo curte no cinema ou feita no micro-ondas passa longe do original –muitas vezes, trata-se de óleo aromatizado com sabor manteiga. Antes que alguém reclame de ter sido enganado, o rótulo do produto avisa qual é a sua composição. 

De acordo com a Anvisa, os ingredientes dos produtos devem estar bem claros nas embalagens para que o consumidor saiba o que está comprando. No caso dos sucos de caixinha, por exemplo, uma lei de 2009 estabelece a diferença entre suco (100% polpa de fruta), néctar de fruta (20% a 30% polpa de fruta, mais água e aditivos) e refresco de fruta (com 8% de polpa, mais água e aditivos).

Outros produtos, no entanto, ainda não têm esse tipo de regulamentação e acaba sendo fácil levar gato por lebre. É o caso, por exemplo, dos iogurtes gregos à venda nos supermercados brasileiros. Eles chamam a atenção por serem mais grossos do que os iogurtes comuns, mas a receita tradicional do ingrediente –que leva apenas leite e fermento lácteo– não é seguida pelos fabricantes.

“O iogurte do tipo grego no Brasil é apenas acrescido de mais espessantes e açúcar. Não é o iogurte grego de verdade”, explica Craig Bell, sócio da Delicari, loja especializada em iogurtes em São Paulo. “Acredito que deva existir algum tipo de regulamentação para avaliar esses casos.”

Outro alimento que engana na hora das porcentagens é o chocolate em barra. Pela lei, eles devem conter no mínimo 25% de cacau em sua composição. Menos do que isso e o rótulo deve explicar que se trata de um “doce sabor chocolate”. O problema é que não existe obrigatoriedade de quantificar porcentagens no rótulo, o que leva alguns produtores de cacau a acreditar que alguns produtos à venda no mercado são fraudes.

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