Receitas

Sucesso em receitas caseiras, Catupiry ganha preparo chique em restaurantes

Roberta Malta

do UOL, em São Paulo

14/08/2014 07h00

O requeijão brasileiro de receita secreta feito com leite, fermento lácteo, creme de leite, massa coalhada e sal e preparado em tachos, é um dos maiores sucessos das mesas brasileiras. E apesar não ser uma unanimidade e de muita gente torcer o nariz, o queijo cremoso transborda pelas beiradas de pratos doces e salgados, faz sucesso em frituras de boteco e tem aparecido até no cardápio de restaurantes mais elegantes.

No mercado desde 1911, o mais famoso deles, o Catupiry (do tupi-guarani, excelente), era vendido originalmente em clássicas caixinhas de madeira redondas. A receita do original foi desenvolvida pelo casal de imigrantes italianos Isaíra e Mario Silvestrini, em 1911, em São Lourenço, Minas Gerais.

Registrada como Requeijão Catupiry®, em 1936, a marca demorou um pouco para decolar. Em 1949, a empresa se mudou para o bairro do Bom Retiro, em São Paulo, e só na década de 1970, quando começou a ser usado nas pizzarias, é que caiu no gosto popular.

Logo passou a fazer parte de toda lista de comprar das donas de casa e ser o centro das atenções dos almoços de domingo em pratos com camarão, frango ou com doces de compota, na sobremesa.Nos restaurantes, pizzarias e bares, faz sucesso como cobertura e dentro das bordas das redondas, recheio de coxinhas e outros salgados e em pratos mais sofisticados.

No festejado, D.O.M., de Alex Atala, em São Paulo, por exemplo, acompanha o delicado mil folhas de mandioca. "Eu não adoro, mas faz parte dos ingredientes brasileiros", diz o chef. "E gastronomia é colocar um ingrediente em seu melhor momento."

No Pipo, casa mais descontraída de Felipe Bronze -chef também do Oro e apresentador do programa "Comidinhas de Chef" do canal GNT- o ingrediente é servido com camarões no molho de tomate em uma louça que imita sua embalagem comercial mais clássica. “Como tem sabor suave, ele não interfere tanto no gosto. E sim empresta cremosidade aos pratos”, diz o chef. Assim, segundo ele, combina com qualquer coisa.

Sobre o fato de alguns cozinheiros rejeitarem o ingrediente, Felipe é categórico: “A gente tende a desvalorizar o que tem à mão”, afirma. “Catupiry é uma delícia, faz parte da memória de todo brasileiro.” 

Adriana e Alexandre Cymes, do bufê paulistano Arroz de Festa, concordam. Nas festas que organizam, gratinam o requeijão em sua própria caixinha, cobrem com ovas de salmão e servem com torradas. “Este queijo é um patrimônio nacional, faz parte da nossa cultura", diz Alexandre. Para ele, a cara feia que alguns fazem se deve ao fato de ele ser um produto tradicional. "Com essa onda gourmet, muita coisa boa é deixada de lado por puro preconceito", diz.

Longe de ser baratinho (a embalagem de 410 gramas custa em média R$ 17,50), o produto é copiado aos montes e  seu nome virou sinônimo de queijo cremoso. "Tanto é que muitas casas que usam, principalmente pizzarias, fazem questão de exibir o selo da empresa", diz Alexandre. Nesses lugares, o cardápio exibe o logotipo da marca com uma frase do tipo "aqui tem Catupiry" - garantia de que trabalha com o requeijão legítimo.

"Eu levanto a bandeira", diz Adriana. E dá a receita que aprendeu com um amigo mineiro: basta furar o requeijão, regar com azeite, salpicar alho dourado, pimenta calabresa, cebolinha verde picada e lambuzar a mistura no pão de queijo. "É dos deuses!"

Romeu e Julieta
Há quem diga que não existe combinação melhor do que com goiabada. Na recém-aberta confeitaria de Marilia Zylbestein, que leva seu nome, em São Paulo, a torta com os dois ingredientes já é campeã de pedidos. "As pessoas adoram justamente por conta do toque salgado que o requeijão dá", diz a chef.

Para ela, a implicância de alguns vem do fato de, muitas vezes, a quantidade exagerada utilizada em determinados pratos deixa a receita pesada. "Se bem usado, ele é uma delícia. E tem uma cremosidade que nenhum queijo tem."

No mais, dá para incrementar sanduíches, carnes, frango desfiado, fica ótimo como acompanhamento de suflês açucarados ou com um naco de marmelada. Quem não come por preconceito ou coisa que o valha,não sabe o que está perdendo.

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