Receitas

Caveiras e santos estão entre amuletos que protegem cozinhas de chefs

Fernanda Meneguetti

Do UOL, em São Paulo

17/04/2015 18h06

Ele pode ser um olho turco, uma imagem de santo, um punhado de sal grosso. Objeto ao qual é atribuído o poder de afastar coisas ruins, o amuleto é quase um item oficial nos restaurantes, junto a cozinheiros, panelas e facas.

"Não tenho superstições, mas por via das dúvidas, mal não faz", diz Mónica Costa, do Bristô Ó-Chá que mantém um olho turco contra o mau-olhado, “Presente de um amigo, fica preso à porta para proteger a casa e conservar a boa energia junto com um vidrinho de sal grosso. “No Japão, o sal é jogado nas soleiras das portas para limpar a carga energética que as visitas deixam na casa. Aqui foi um presente e fica do ladinho do caixa. Na minha outra casa de chá, em Lisboa, minha mãe espalha pelos cantos”.

Giuliana Nogueira/Divulgação
Sal grosso funciona como purificador de energias no Bistrô Ó-chá Imagem: Giuliana Nogueira/Divulgação

Na entrada do restaurante La Madonnina, o chef Roberto Ravioli, católico praticante, posiciona o quadro homônimo do artista toscano Enzo Venturini: “Assegura proteção e dá as boas-vindas. Para reforçar, deixo outro quadro italiano, o “Madonna di Rafaello” da artista toscana Enrica Martellini, próximo à adega”.

Santificada seja a cozinha
Santas e santos, aliás, estão entre os hits dos cozinheiros. No Tête à Tête, o chef Gabriel Matteuzzi deixa um pequeno São Benedito e um cristal rosa na cozinha e, à frente do restaurante, plantou espadas-de-são-Jorge, popularmente conhecidas por afastar mau-olhado.

São Benedito, diga-se de passagem, é o protetor dos cozinheiros, já que exercia a função num convento na Itália e distribuía comida aos famintos. É comum deixar um cafezinho ao lado de sua imagem. Ele está no La Vie en Douce de Carole Crema, no Tordesilhas, no Ghee (junto a Sheeva e Buda), no Micaela (ao lado de um Preto Velho que ganha doses diárias de cachaça) e no Na Cozinha. Ali, o santo negro se perde em meio a carrancas, orixás, fitinhas do Bonfim e outros talismãs.

Leonardo Soares/UOL
No Tordesilhas, São Benedito recebe religiosamente o primeiro café do dia Imagem: Leonardo Soares/UOL

Menos convencionais
Em 2004, quando trabalhava na Espanha, a chef Yasmine Bahiense, do Bistrô Margot, comprou um conjunto de facas e diz que até hoje é incapaz de cozinhar sem elas. Henrique Fogaça, chef do Sal Gastronomia, Cão Véio e Admiral´s Place e jurado do reality “Master Chef Brasil”, coleciona caveiras: “Elas sempre me acompanharam e me dão sorte”, revela.

Menos sombria, Renata Vanzetto, do Marakuthai e do Ema, mantém uma foto da avó materna: “A foto sempre esteve ali. Minha avó é uma influência na minha cozinha. Ela toma conta de mim e me lembra a força das mulheres da família”, conta.

O chef Emerson Apolinário, do Espaço Árabe, por sua vez, optou por dois pinguins, cada um olhando para um lado da cozinha: "Eles ficam guardando as coisas enquanto estou ausente", diz. 

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